É com pesar que comunico
o triste falecimento
de um amor outrora rico
e de profundo envolvimento
Acometeu-lhe certo mal
de difícil tratamento:
o tempo lhe foi rival
e não lhe deu atendimento
Por descuido ou por folia
este quadro de tão grave
foi se transformar um dia
em aprisionada ave
Que voar já não sabia
sequer viver na gaiola
presa de tal agonia
não ficou boa da bola
Nos últimos anos sofreu
uma gradual piora
e tanto que entristeceu
que perdeu de vista a hora
De voltar atrás no tédio
e buscar uma saída
viu-se por fim sem remédio
e despediu-se da vida
Deixou um só testamento
ante a iminente partida:
que no seu sepultamento
não houvesse despedida
Pois acredita que agora
Consumada a dissolução
É a inexorável hora
da final separação
Não quer nem choro nem vela
nem uma rosa amarela
só pede que encerrem o assunto
e esqueçam logo o defunto.
Paco Rakonti
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