Tag: paco rakonti

  • 58. Schütze und Ziel

    “O que leva alguém a ficar lendo e escrevendo o tempo todo, e não ir lá pra fora brincar, curtir com os amigos e tal, heim?”, perguntou o irmão Schütze. A pergunta do irmão era provocativa, afinal sabia que o irmão Ziel tinha certa fobia social, se sentia um desajustado, um estrangeiro em sua própria…

  • 44. De âncoras e amuletos

    O que pode a âncora nessa modernidade pós-humana dos relacionamentos líquidos, nesse contexto movediço e precário onde sequer o fundo do mar oferece o chão e a solidez que antes nortearam as relações de todo tipo? Como atracar nesta anomia?Embora instável, movediça, as relações monogâmicas envolvem interesses que só o capital pode explicar, que já…

  • 28. Demo

    I Iniciado fostes nos mistérioscom sombrios rituais em cemitériosdos quais tu jamais te esquecerás e fizestes os votos secretos e finaise em meio aos cerimoniaistu vistes em teu Mestre um verdugodo qual jamais serás livre do jugo e lutarás por toda a eternidadepor um minuto só de claridade das trevas gritarás até o pómas até…

  • 27. Tardio

    27. Tardio

    Eis que demora a sair– vira um cancro demora a parir– uma eclâmpsia a publicar– desvario: um livrode poemas tardio. Paco Rakonti Podcast Escritura Privada1a. Temporada | 01. Vulcão (ouça | leia) Adquira também o livro:A crônica perdida de Machado de Ricardo Paes (Amazon)

  • 26. Todo mundo quer sonhar

    Todo mundo quer sonharQue um dia encontrou O amor de sua vidaQue o destino revelou Todo mundo quer viverUm amor, uma paixão O amor de sua vidaForte no seu coração Todo mundo quer dizerA um outro que encontrou Você é minha alma gêmea,Que o destino me guardou Mas a alma é pequenaSe a um outro…

  • 24. Obituário I

    É com pesar que comunicoo triste falecimentode um amor outrora ricoe de profundo envolvimento Acometeu-lhe certo malde difícil tratamento:o tempo lhe foi rivale não lhe deu atendimento Por descuido ou por foliaeste quadro de tão gravefoi se transformar um diaem aprisionada ave Que voar já não sabiasequer viver na gaiolapresa de tal agonianão ficou boa…

  • 23. Obituário II

    se eu tivesse, mas não tive,o zelo, a cura, o desplante de trabalhar melhor o poemacomo quem bem soubesse e de escrever vivessepoema melhor que esse: urdir, tecer, cerzir, cosersuas métricas, sua assimetria como um ikebana, como bananapresa com silvertape no leilão como happening, instalaçãopoema concreto, papo reto sobre a contravençãocontra a convenção; se eu…

  • 22. Soneto quase escansão

    Quem nasceu primeiro,O beijo ou a boca? Sabe o ovo e a galinha?Beijo e boca é a mesma linha: Acoplamentos filogenéticos,Boca que busca com anseio Se bem, quem nasceu primeiroFoi o leite ou foi o seio? É o oco que molda o coco?O vazio que molda o cheio? O preço que molda o troco?O belo…

  • 19. Halley

    Por isso somos quem somosestrelas de um só momentomas cujo brilho ameaçaa ordem do firmamento(Manduka) Não, não tire conclusões apressadas:sou apenas um cometaque passa pelo mundocomo uma vida passae prossigoo meu caminho como a vida prossegue o seu caminho… Dizem as más línguas que por aqui já estiveanunciando catástrofes e mostrando o caminhopara guiar os…

  • 18. Imortal

    um diaolhando sem ajudaum sol que no seu brilhonão me iludao Talmudtalvez mudecomo um tao mudoe, à noite,desse dia triunfantepasso no vestibularpra hierofante e nessa beatitudenesse astralsentindo dor de dentede repenteaprendo de vezque sou imortal.