floresça ou se caule para sempre.
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10. Luz no fim do Antônio
ao poeta Antônio Maia esse modo cabralinominimal punhal pétreo fino ecirúrgico com que esgrima de esgar a minúcia plenaa que adere a dez aliena e exsudao que é foz, menino feroz franzinoerrôneo de esgarçadofeminino assim eu vi supusa luz no fim do Antônio Ricardo Paes26/04/2025 Nota: a melhor crítica a um poema é escrever outro…
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09. In extremis
Sei que muitos vão censurar minha atitude. Uns falam que ficamos no limbo, entre os mortos e os vivos. De maneira geral, são pouquíssimas as culturas que aceitam o suicídio. Mas imagino que vocês queiram saber quais foram os meus motivos, acertei? É tão simples: quantos de vocês, que ainda estão vivos – ou pensando…
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08. Snooze
Sub-instante-ativo 1. Manhã. Despertador. Olho. Pálpebra. Remela. Mão. Snooze. Minutos. Sono. Alarme. Foco. Teto. Cama. Chinelos. Banheiro. Torneira. Olho. Remela. Pasta. Escova. Dente. Bochecho. Cuspe. Torneira. Toalha. Vaso. Mijo. Descarga. Cozinha. Caneca. Cafeteira. Açúcar. Quarto. Chinelo. Unha. Coceira. Cômoda. Gaveta. Pistola. Mão. Pausa. Gaveta. Sapato. Graxa. Café. Colher. Pia. Banheiro. Chuveiro. Sabão. Xampu. Toalha.…
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07. Escuto, não pio, não cavo, nem tiro terra
É preciso prestar muita atenção nos sinais – ininterruptos, diga-se – que transformam as coisas banais do cotidiano em experiência numinosa. O sagrado, o mágico, a paz profunda e cheia de sentido das epifanias e metanoias, estão em toda parte e em cada ínfimo fragmento da realidade, à espera tão somente da nossa intensidade de…
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06. Inferno astral
Tentei abrir os pulsos,mas os pulsos não abriram;tentei tomar cicuta,mas cicuta não havia; atirar-me da janela,eu tentei, mas a redede proteção do gatosegurou-me o corpo exangue e, de fato, de tudo que tenteime restou a poesianua, que rasguei.Tentei vasculhar a memória recapitular a históriaentender o rompimentoe o infeliz argumento;que fora dado ao telefone depois fiquei…
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05. A paixão
a paixãoé cumplicidadesem crime; o amornão move açãocontra os amantes os amantes,antes,na ação se movem e removemno infinitoo corpo de delito
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04. A puta ria
à A. C. G. A vida é aquela putaque faz jogo duro no escuroe diz que não dá que te manda ir à lutaque o melhor é que se vá e depois, quanto tu partesela nas suas artes se despe toda e se amasozinha na cama e assim, a vida toda nuate diz que sempre…
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03. Textos-terona
andei pensando ultimamente,enquanto ouço os passos mancosdo meio século que se aproxima,que a melhor poesia que já vivifoi há trinta e cinco anos,quando nela cria. A poiesis se esvai com a massa muscular,os hormônios, os dentes e a linha.Se o espírito da coisa já não me habita,é por não mais crer. regurgitei dia desses um…
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02. De pedras e atiradeiras
Uma pedrada que levei na têmpora direita quando passava por um terreno baldio, onde meninos de atiradeira tentavam acertar latas vazias, deixou marca – fora a fibrose que durou anos e a dor de cabeça que durou uma semana. Certas palavras, quando proferidas repetidamente, deixam ranhuras indeléveis na alma. Eu tinha onze, talvez menos, e…
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01. Vulcão
I Não pode um vulcãoa lava contereternamente, mesmo porqueo ser do vulcãoconsiste em negar a contenção: deixar a lava lavar– como lava a lágrima o olho –o coração. Não se pode escorrercomo escorre a lavaeternamente, pois o ser da lavaconsiste em tecero fio de pedra quando desaquece:quando tudo esquece(aparenta esquecer) o fundo da lavao poeta…
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